sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Açores...



Corre...Em busca do mais ínfimo pormenor que o futuro te aguarda. Corre num passo lento, atenta a cada imagem que a natureza encanta, ouve a vida ao teu redor. Vive o que ainda não vives-te...

Carpe Diem ♥

sábado, 16 de outubro de 2010

Eu nunca fiz senão sonhar...


Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de mim pude esquecer-me na visão do seu movimento.
Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.
A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda, e só na minha morte me abandonará. Não alinho hoje nas minhas gavetas carros de linha e peões de xadrez — com um bispo ou um cavalo acaso sobressaindo — mas tenho pena de o não fazer... e alinho na minha imaginação, confortavelmente, como quem no Inverno se aquece a uma lareira, figuras que habitam, e são constantes e vivas, na minha vida interior. Tenho um mundo de amigos dentro de mim, com vidas próprias, reais, definidas e imperfeitas.
Alguns passam dificuldades, outros têm uma vida boémia, pitoresca e humilde. Há outros que são caixeiros-viajantes. (Poder sonhar-me caixeiro-viajante foi sempre uma das minhas grandes ambições — irrealizada infelizmente!) Outros moram em aldeias e vilas lá para as fronteiras de um Portugal dentro de mim; vêm à cidade, onde por acaso os encontro e reconheço, abrindo-lhes os braços, numa atracção... E quando sonho isto, passeando no meu quarto, falando alto, gesticulando... quando sonho isto, e me visiono encontrando-os, todo eu me alegro, me realizo, me pulo, brilham-me os olhos, abro os braços e tenho uma felicidade enorme, real.
Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram! O que eu sinto quando penso no passado, que tive no tempo real, quando choro sobre o cadáver da vida da minha infância ida..., isso mesmo não atinge o fervor doloroso e trémulo com que choro sobre não serem reais as figuras humildes dos meus sonhos, as próprias figuras secundárias que me recordo de ter visto uma só vez, por acaso, na minha pseudovida, ao virar uma esquina da minha visionação, ao passar por um portão numa rua que subi e percorri por esse sonho fora.
A raiva de a saudade não poder reavivar e reerguer nunca é tão lacrimosa contra Deus, que criou impossibilidades, do que quando medito que os meus amigos de sonho, com quem passei tantos detalhes de uma vida suposta, com quem tantas conversas iluminadas, em cafés imaginários, tenho tido, não pertenceram, afinal, a nenhum espaço onde pudessem ser, realmente, independente da minha consciência deles!
Oh, o passado morto que eu trago comigo e nunca esteve senão comigo! As flores do jardim da pequena casa de campo e que nunca existiu senão em mim. As hortas, os pomares, o pinhal da quinta que foi só um meu sonho! As minhas vilegiaturas supostas, os meus passeios por um campo que nunca existiu! As árvores de à beira da estrada, os atalhos, as pedras, os camponeses que passam... tudo isto, que nunca passou de um sonho, está guardado em minha memória a fazer de dor e eu, que passei horas a sonhá-los, passo horas depois a recordar tê-los sonhado e é, na verdade, saudade que eu tenho, um passado que eu choro, uma vida real morta que fito, solene, no seu caixão.
Há também as paisagens e as vidas que não foram inteiramente interiores. Certos quadros1 sem subido relevo artístico, certas oleogravuras que havia em paredes com que convivi muitas horas — passam a realidade dentro de mim. Aqui a sensação era outra, mais pungente e triste. Ardia-me não poder estar ali, quer eles fossem reais ou não. Não ser eu, ao menos, uma figura a mais, desenhada ao pé daquele bosque ao luar que havia numa pequena gravura dum quarto onde dormi já não em pequeno! Não poder eu pensar que estava ali oculto, no bosque à beira do rio, por aquele luar eterno (embora mal desenhado), vendo o homem que passa num barco por baixo do debruçar-se de um salgueiro! Aqui o não poder sonhar inteiramente doía-me. As feições da minha saudade eram outras. Os gestos do meu desespero eram diferentes. A impossibilidade que me torturava era de outra ordem de angústia. Ah, não ter tudo isto um sentido em Deus, uma realização conforme o espírito de nossos desejos, não sei onde, por um tempo vertical, consubstanciado com a direcção das minhas saudades e dos meus devaneios! Não haver, pelo menos só para mim, um paraíso feito disto! Não poder eu encontrar os amigos que sonhei, passear pelas ruas que criei, acordar, entre o ruído dos galos e das galinhas e o rumorejar matutino da casa, na casa de campo em que eu me supus... e tudo isto mais perfeitamente arranjado por Deus, posto naquela perfeita ordem para existir, na precisa forma para eu o ter que nem os meus próprios sonhos atingem senão na falta de uma dimensão do espaço íntimo que entretém essas pobres realidades...
Ergo a cabeça de sobre o papel em que escrevo... É cedo ainda. Mal passa o meio-dia e é domingo. O mal da vida, a doença de ser consciente, entra com o meu próprio corpo e perturba-me. Não haver ilhas para os inconfortáveis, alamedas vetustas, inencontráveis de antes, para os isolados no sonhar! Ter de viver e, por pouco que seja, de agir; ter de roçar pelo facto de haver outra gente, real também, na vida! Ter de estar aqui escrevendo isto, por me ser preciso à alma fazê-lo, e, mesmo isto, não poder sonhá-lo apenas, exprimi-lo sem palavras, sem consciência mesmo, por uma construção de mim próprio em música e esbatimento, de modo que me subissem as lágrimas aos olhos só de me sentir expressar-me, e eu fluísse, como um rio encantado, por lentos declives de mim próprio, cada vez mais para o inconsciente e o Distante, sem sentido nenhum excepto Deus.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, in

domingo, 14 de fevereiro de 2010

TODOS OS POEMAS DE AMOR SÃO RIDÍCULOS?


Acidentalmente, o poema de amor, a celeuma.
Ele, ridicularizado, no meio duma cizânia,
O Poema de amor é – O poema de amor não é,
Páginas e páginas escritas numa bela coletânea.

E o cruel libelo, crava; “Todo poema de amor é ridículo”
E qual será a realidade de quem não o sente assim?
E por que será ridículo? E se for! Será enfim!
Todo poema é ridículo, se nos trouxer dissabores.

E se na forma loquaz dos versos, mentir descaradamente,
Sem poesia e lágrimas, e um mínimo de sentimento.
Então hão de concordar, com todo o discernimento, Que;
o poema de amor insincero. É que é ridículo.


Ah! Poetas e Poetisas perdoem os que dizem inexoravelmente;
Que: “Todo poema de amor é ridículo”, talvez até estejam certos.
Poemas de amor são melosos, chorosos, gostosos, amorosos,
Não existem apaixonados, sem gostar de poemas de amor, ridículos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ás vezes tenho medo...


Ás vezes tenho medo...
Medo de encarar o futuro...
Ás vezes não consigo esquecer o passado , dai talvez o meu medo para o futuro.
Ás vezes tenho medo...
Medo de não encontrar a felicidade, como já a tive um dia no passado...as vezes esse medo apodera-se de mim...
Sei que momentos que passei já mais virão, porque é passado...
Ás vezes tenho medo...
Medo de esquecer esse passado feliz, talvez isso não me deixe seguir em frente...
Ás vezes, existem saudades, e são imensas, saudades do passado que já mais virá, e o futuro é temido...pois as coisas mudam...e já mudaram, vão tornar a mudar...até que tudo se vai tornar num ciculo visioso.
Ás vezes tenho medo...
Medo de não encontrar a felicidade no futuro, pois hoje, ainda o passado se apodera de mim e as recordações não desaparecem...é como se quissese que esses momentos felizes durasem para sempre !
Mas esse passado mudou...
As coisas que me deixavam feliz deixaram de fazer...e as saudades são de quando essas mesmas coisas me deixavam feliz.
Ás vezes tenho medo...
Porque todo esse passado mudou, parece que foi um sonho! Que nem se quer foi real! Pois agora perdi...
Perdi esse passado e perdi essa felicidade...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Um abraço...


Se eu te podesse abraçar agora, irias percebero quanto és importante para a minha vida.

Se eu te podesse abraçar agora, iria-te sussurrar que a tua ausencia doi !

Se eu te podesse abraçar agora, dizia-te o quanto gosto de ti...é tão urgente que saibas que gosto mesmo muito de ti...

É imprescindivel que sintas que te abraço, muito, sempre que penso em ti...!

Necessito de um abraço teu...

...onde me possa sentir em casa...

...onde possa recordar o teu cheiro...

...onde me possas juntar a teu peito para me sussurares " gosto muito de ti "

Necessito de um tempinho contigo...

De um tempinho "bué maluko ", ou talvez um tempinho daqueles só nossos...daqueles sossegadinhos...

O vento passa por entre os cabelos e o desejo de que ele leve tudo isto é imenso !

Permanecerei contigo sempre ! Basta tu quereres !

Deixar-te sozinha ? isso nunca irá acontecer, prometo !




By: Sandra

segunda-feira, 29 de junho de 2009


Michael Jackson
1958-2009

domingo, 17 de maio de 2009

Só para amigos...

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades ate dos momentos de lagrimas, da angustia, das esperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje nao tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telemovel e dizer algumas tolices... Mas, vao-s passar dias, meses...anos... ate este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo.... Um dia os nossos filhos verao as nossas fotografias e perguntarao: "Quem sao aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto! "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um ultimo adeus de um amigo. E, entre lagrimas abraçar-nos-emos. Entao faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amig: nao deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora nao sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"